5 etapas entre a fonte e a garrafa
Quem abre uma garrafa de água mineral raramente pensa no caminho que aquela água fez depois de sair da fonte. Ele é curto em distância, às vezes poucas centenas de metros, mas passa por etapas controladas que existem por uma razão: a água mineral natural não pode ser tratada quimicamente nem receber aditivos. O que sustenta sua qualidade não é um tratamento final, e sim o cuidado em cada etapa. São cinco, descritas a seguir.
1. Captação fechada
A primeira etapa acontece no ponto onde a água sai do subsolo. Em uma nascente, a captação é feita por uma caixa ou galeria de alvenaria ou concreto construída sobre o ponto de afloramento, fechada e protegida para que a água de chuva, animais, folhas e terra não entrem em contato com ela. Em um poço tubular, o revestimento e a cimentação das camadas superiores impedem que a água da superfície escorra até o aquífero, e o cabeçote do poço fica sobre uma laje, tampado e cercado.
Nos dois casos, a água não fica exposta em nenhum momento. A área ao redor da captação tem acesso restrito, e a vazão retirada é medida para respeitar o limite autorizado.
2. Condução e reservação
Da captação, a água segue por tubulações de material próprio para contato com alimentos, geralmente aço inoxidável, até a unidade de envase. Quando há reservatórios intermediários, eles são fechados, também de material sanitário, e passam por limpeza programada.
Nessa etapa, a legislação permite apenas processos que não alterem a composição da água, como a decantação e a filtração para retirar partículas em suspensão. Não é permitido adicionar sais, cloro ou outros produtos, nem submeter a água a processos que modifiquem seus minerais. No caso das águas com gás, o gás carbônico adicionado também precisa ser informado no rótulo.
3. Preparo das embalagens
As embalagens chegam à linha por dois caminhos. As garrafas descartáveis, de PET, são produzidas a partir de pré-formas, sopradas na própria fábrica ou recebidas prontas, e passam por enxágue antes do envase. Os garrafões retornáveis de 10 e 20 litros exigem mais cuidado, porque voltaram da casa de um consumidor.
Cada garrafão retornável é inspecionado visualmente: os que têm rachaduras, odores, manchas internas, deformações ou data de fabricação acima do prazo de vida útil de três anos são descartados. Os aprovados passam por lavagem externa e interna com detergente adequado, enxágue, sanitização e enxágue final com a própria água mineral, para que não restem resíduos dos produtos de limpeza.
Por isso a devolução do garrafão em bom estado ajuda toda a cadeia. Vasilhames usados para guardar combustível, óleo, produtos de limpeza ou outros líquidos absorvem odores que a lavagem não remove, e acabam descartados na inspeção.
4. Envase e fechamento
O envase propriamente dito acontece em uma sala separada das demais áreas da fábrica, com acesso restrito, controle de limpeza e funcionários com uniforme, touca e procedimentos de higiene definidos. As máquinas enchem as embalagens e as fecham em sequência, reduzindo ao máximo o tempo em que a água fica em contato com o ar.
As tampas vêm lacradas e embaladas e são aplicadas pela própria máquina. Nos garrafões, há ainda o lacre externo, que mostra ao consumidor se a embalagem foi violada.
Essas regras estão reunidas na RDC 173/2006 da Anvisa, que trata das boas práticas para a industrialização e a comercialização de água mineral natural e de água natural. Ela define desde a estrutura das instalações até os registros que a empresa precisa manter.
5. Rotulagem, lote e controle
Depois de fechadas, as embalagens recebem o rótulo, com as informações exigidas: nome da fonte, local, número da concessão de lavra, composição química, características físico-químicas, classificação, conteúdo, data de envase, validade e lote. O lote é o elo entre a garrafa e o dia, o turno e a linha em que ela foi produzida.
Amostras de cada lote são separadas para análises microbiológicas, e a empresa mantém registros da produção, das análises e das limpezas realizadas. Se algum problema for identificado depois que o produto saiu da fábrica, o lote permite localizar e recolher as embalagens afetadas.
Paralelamente, análises completas da água da fonte são refeitas periodicamente, para confirmar que a composição informada no rótulo continua correta ao longo dos anos.
O que isso significa para quem compra
Para o consumidor, o controle de todo esse caminho aparece em poucos sinais: lacre inteiro, tampa sem sinais de violação, garrafão dentro da vida útil, rótulo legível com lote e validade e água límpida, sem partículas ou odor. Se algo estiver fora do normal, a recomendação é não consumir, guardar a embalagem com o rótulo e o lote e entrar em contato com o envasador indicado no rótulo.
Depois que a embalagem sai da fábrica, o cuidado passa para o transporte, o ponto de venda e a casa de quem compra. Guardar a água à sombra, longe de produtos com cheiro forte, e manter o bebedouro limpo completa a cadeia que começou na fonte.
Engenheira de alimentos, escreve sobre boas práticas de envase e controle de qualidade para a Água Mineral Hylem.